267 episodes
- Filosofia, geopolítica e mudança de paradigma
Este é o episódio número 257, e recebemos Filomeno Lopes para uma conversa sobre seu livro Mudar de paradigma: autenticidade africana entre filosofia e geopolítica.
Partimos de uma pergunta provocativa: e se os africanos desaparecessem do mapa-múndi? A partir dela, conversamos sobre filosofia, geopolítica e a necessidade de pensar os desafios do continente africano a partir de suas próprias experiências, histórias e formas de construir o futuro.
Resumo: No episódio, Marcos Carvalho Lopes conversa com Filomeno Lopes sobre a necessidade de mudar o paradigma a partir do qual se pensa a África. A pergunta provocadora — “e se os africanos desaparecessem do mapa-múndi?” — leva a uma crítica das relações geopolíticas e da maneira como a história africana é frequentemente apagada ou reduzida à exploração do território e de seus recursos. Filomeno defende que a filosofia africana parta das realidades, histórias e formas de expressão dos próprios povos africanos. Isso exige rever currículos que começam pela tradição europeia e deixam à margem as humanidades clássicas africanas, a oralidade, a música e a produção cultural popular. O diálogo também aproxima essa discussão do Brasil: os participantes refletem sobre dependência intelectual, identidade nacional, futebol, colonialidade e a possibilidade de contribuir para o mundo a partir de experiências locais, sem se fechar ao universal.
Palavras-chave: Filosofia africana; autenticidade africana; geopolítica; pan-africanismo; ruptura epistemológica; colonialidade; ensino de filosofia; humanidades clássicas africanas; Egito antigo; oralidade; cultura popular; música; futebol; identidade; território; universal e particular; Brasil; PALOP.
Referências mencionadas
Livros e filme destacados na conversa
Filomeno Lopes, Mudar de paradigma: autenticidade africana entre filosofia e geopolítica.
Filomeno Lopes, E se l’Africa scomparisse dal mappamondo? — título italiano mencionado na conversa.
Os Olhos Azuis de Yonta (1992), filme de Flora Gomes. Na transcrição, o título aparece como “Olhos Azuis de ontem”; corrigi para o título do filme.
Amílcar Cabral e Cheikh Anta Diop: Filomeno os recomenda como leituras importantes para pensar uma ruptura que também construa novos caminhos.
Autores e figuras citados ou evocados
Antonio Gramsci; Achille Mbembe; Placide Tempels (o nome pode ter sido transcrito incorretamente como “tempo”); Platão; Sócrates; Georg W. F. Hegel; Martin Heidegger; Friedrich Hölderlin; Steve Biko; Léopold Sédar Senghor; Édouard Glissant; Frantz Fanon; Karl Marx; Pierre-Joseph Proudhon; Ailton Krenak; Clarice Lispector; Roberto Mancini.
Referências culturais e esportivas
Azagaia; Bonga; José Carlos Schwarz; Flora Gomes; Sócrates (futebolista); Pelé; Pep Guardiola; Lionel Messi; Adriano Imperador; Benfica, Sporting, Real Madrid, Barcelona e Santos.
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O post #257: E se os africanos desaparecessem do mapa-múndi?, com Filomeno Lopes apareceu primeiro em filosofia pop. - Alô, alô! Neste episódio especial do Filosofia Pop, conversamos com Luiz Costa Lima sobre sua amizade com Paulo Freire e sua participação em uma experiência de educação interrompida pelo golpe de 1964. Entre lembranças e reflexões sobre cultura e aprendizagem, Costa Lima também manifesta sua preocupação com o presente e seu apoio a Lula. Uma conversa breve sobre memória, educação e os desafios da democracia brasileira. Vamos ouvir!
Luiz Costa Lima é um dos principais críticos e teóricos da literatura no Brasil. Nascido no Recife, em 1937, é professor emérito da PUC-Rio e autor de uma extensa obra sobre literatura, história e imaginação.
Um dos eixos de seu pensamento é a mímesis: como a literatura reelabora a realidade e produz novas formas de compreendê-la. Também investiga o controle do imaginário, isto é, os mecanismos pelos quais sociedades e instituições limitam a criação e a ficção.
Entre seus livros estão Mímesis e modernidade, O controle do imaginário e História. Ficção. Literatura. No início dos anos 1960, colaborou com Paulo Freire na formação de educadores no Recife, experiência que ele relembra neste episódio do Filosofia Pop.
Reumo: Neste episódio especial do Filosofia Pop, Luiz Costa Lima relembra sua amizade com Paulo Freire e sua participação na formação de educadores no Recife, antes do golpe de 1964. Ao recordar aquela experiência, destaca uma educação fundada na palavra e na aprendizagem compartilhada, distinguindo cultura para as grandes populações de cultura de massa. Na conversa com Marcos Carvalho Lopes, o crítico literário também manifesta preocupação com o cenário eleitoral, declara apoio a Lula e aproxima a memória da ditadura dos desafios atuais da democracia brasileira.
Palavras-chave: Luiz Costa Lima, Paulo Freire, educação popular, alfabetização, cultura de massa, literatura, ditadura militar, memória, democracia, eleições, Lula, Filosofia Pop
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O post #256: Luiz Costa Lima apareceu primeiro em filosofia pop. - Neste episódio do Filosofia Pop, Marcos Carvalho Lopes conversa com a filósofa Márcia Cavalcante sobre o fascismo da ambiguidade: uma forma contemporânea de autoritarismo que se fortalece pela apropriação e pelo esvaziamento de palavras como liberdade, democracia e transformação. A partir das relações entre capitalismo financeiro, tecnologias digitais e extrema direita, a convidada examina como discursos de emancipação podem servir à destruição de direitos e dos vínculos sociais.
Resumo: Neste episódio, Marcos Carvalho Lopes conversa com Márcia Sá Cavalcante Schuback sobre o fascismo da ambiguidade e o esvaziamento de palavras como liberdade e democracia. A discussão aborda as relações entre capitalismo, tecnologias digitais e extrema direita, destacando a linguagem, a poesia e a ação coletiva como caminhos de resistência.
Palavras-chave: fascismo da ambiguidade, democracia, linguagem, tecnofascismo, resistência.
Obras mencionadas ou identificáveis
SCHUBACK, Marcia Sá Cavalcante. O fascismo da ambiguidade: um ensaio conceitual. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2021. Livro que orienta a conversa sobre capitalismo, digitalização e esvaziamento dos sentidos. editora.ufrj.br
MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos de 1844. Mencionado na discussão sobre o dinheiro e sua capacidade de inverter qualidades e valores.
PASOLINI, Pier Paolo. Escritos corsários. Citado na reflexão sobre sociedade de consumo, transformação cultural e novas formas de fascismo.
ECO, Umberto. Obra aberta. Mencionado na discussão sobre abertura dos sentidos e limites da interpretação.
FONTELA, Orides. “Fala”. Poema lido no encerramento, identificado pelo início: “Tudo será difícil de dizer”.
FONTELA, Orides. Poema iniciado por “Alta agonia é ser, difícil prova”. Trecho recitado durante a conversa; o título não é informado.
UNGER, Nancy Mangabeira. Da foz à nascente: o recado do rio. Livro identificável pela descrição da escuta das comunidades do rio São Francisco e de suas experiências de vida. antigo.mma.gov.br
CARSON, Anne. “O gênero do som” (The Gender of Sound). Ensaio sobre as relações entre voz, gênero e silenciamento das mulheres, publicado em Glass, Irony and God. Periódico de Poesía
GENET, Jean. Uma canção de amor (Un chant d’amour). Filme evocado na reflexão sobre corpo, isolamento e coexistência.
BÍBLIA. Parábola do semeador. Referência à palavra como semente e à possibilidade de transformação pela escuta.
Sobre a capa: a composição faz referência à semelhança visual entre uma peça divulgada pelo PL em apoio a Flávio Bolsonaro e a propaganda do regime de Mussolini. Segundo reportagem do Diário Carioca, o partido retirou a publicação, atribuiu sua produção ao PL Jovem e pediu desculpas, negando intenção de aludir ao fascismo. A capa retoma essa controvérsia como provocação para o debate sobre o fascismo da ambiguidade.
Leia a reportagem:
https://www.diariocarioca.com/2026/10/10/politica/eleicoes/pl-apaga-propaganda-de-flavio-bolsonaro-que-lembra-peca-do-fascista-mussolini/
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O post #255: Fascismo da ambiguidade, com Marcia Cavalcante apareceu primeiro em filosofia pop. - No episódio #254 do Filosofia Pop, recebemos José Reinaldo de Lima Lopes para uma conversa sobre Direito como prática. O que muda quando compreendemos o direito como uma prática social, orientada por regras e pela finalidade de organizar a convivência humana? E por que a justiça é parte constitutiva dessa prática?
A partir de Aristóteles, Wittgenstein e Elizabeth Anscombe, discutimos a importância da linguagem, da prudência e da deliberação para a formação dos juristas. José Reinaldo critica o ensino baseado na memorização de leis e decisões, o uso ornamental da filosofia nas sentenças e a confusão entre fundamentação jurídica e opinião pessoal. A conversa explora como os sentidos compartilhados permitem sustentar a objetividade das decisões sem eliminar as dúvidas e os conflitos de interpretação.
Também abordamos a justiça como virtude social e política, as desigualdades e a persistência de hierarquias na cultura jurídica brasileira, o papel crítico da história do direito e a necessidade de um diálogo com a economia que preserve a autonomia do pensamento jurídico. Ao final, refletimos sobre os bens em comum e sua importância para a vida coletiva, com indicações de livros e filmes para continuar o debate.
Resumo: No episódio #254 do Filosofia Pop, José Reinaldo de Lima Lopes discute o direito como prática social orientada pela justiça. A conversa aborda a formação dos juristas, a importância da linguagem e da deliberação nas decisões jurídicas, o papel crítico da história do direito e os desafios das desigualdades e dos bens em comum.
Palavras-chave: José Reinaldo de Lima Lopes, direito como prática, filosofia do direito, justiça, razão prática, deliberação, ensino jurídico, argumentação jurídica, linguagem, Aristóteles, Wittgenstein, Elizabeth Anscombe, história do direito, desigualdade, bens comuns, Filosofia Pop.
Livros indicados ou citados
José Reinaldo de Lima Lopes — Curso de filosofia do direito: o direito como prática. Obra central para os temas discutidos no episódio.
José Reinaldo de Lima Lopes — O direito na história: lições introdutórias.
José Reinaldo de Lima Lopes — As palavras e a lei: direito, ordem e justiça na história do pensamento jurídico moderno. O título aparece imprecisamente como “As palavras e as leis” na transcrição.
José Reinaldo de Lima Lopes, Gilberto Morbach e Martin Magnus Petiz (organizadores) — Direito e justiça: diálogos entre filosofia e direito.
José Reinaldo de Lima Lopes, Rafael Mafei Rabelo Queiroz e Thiago dos Santos Acca — Curso de história do direito. O convidado destaca as indicações de literatura e cinema presentes nos capítulos.
Peter Winch — A ideia de uma ciência social e sua relação com a filosofia. Indicado na discussão sobre práticas sociais e compreensão de outras formas de vida.
Elizabeth Anscombe — Intenção. Citado como uma influência importante na compreensão da ação e da deliberação.
Ludwig Wittgenstein — Da certeza. Citado durante a discussão sobre dúvida e objetividade e recomendado ao final.
Graciliano Ramos — Angústia. Indicado como uma aproximação entre literatura, crime e reflexão jurídica.
Filmes indicados
Dúvida. Com Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman; recomendado para pensar provas, raciocínio e tomada de decisões.
O homem que não vendeu sua alma. Sobre Thomas More e seu julgamento na Inglaterra de Henrique VIII; destacado pelos diálogos e pelo desenvolvimento do conflito jurídico.
O Filosofia Pop é um podcast que aborda a filosofia como parte da cultura. A cada 15 dias, sempre às segundas-feiras, a gente vai estar aqui pra continuar essa conversa com vocês. Intercalando com nossos episódios normais de quando em quando vamos apresentar episódios de entrevistas temáticas especiais. O episódio de hoje que é uma parceria com o projeto de extensão Filosofia, Cultura popular e Ética, desenvolvido na Universidade Federal de Jataí.
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Com vocês, mais um episódio do podcast Filosofia Pop!
O post #254: Direito como Prática, com José Reinaldo de Lima Lopes apareceu primeiro em filosofia pop. - No episódio #253 do Filosofia Pop, Marcos Carvalho Lopes conversa com o sociólogo e escritor Reginaldo Prandi a partir do livro Orixás: os deuses que habitam em nós.
Prandi conta como concilia a pesquisa acadêmica com o aprendizado nos terreiros, onde ouvir e observar são partes fundamentais da formação. A conversa explora os mitos iorubás como formas de interpretar a experiência humana e apresenta as noções de orixá, egum e orí para pensar as relações entre natureza, comunidade e individualidade.
O episódio aborda ainda o destino, a iniciação religiosa, a diversidade de gênero no candomblé e as histórias de Oxaguiã e Iemanjá. Ao falar de sua trajetória e de seus livros, Prandi também reflete sobre o que o estudo das religiões revela a respeito da sociedade brasileira — inclusive sobre as relações entre religião, política e Estado laico.
Resumo
Marcos Carvalho Lopes conversa com o sociólogo e escritor Reginaldo Prandi a partir de seu livro Orixás: os deuses que habitam em nós. Prandi fala sobre o desafio de conciliar a pesquisa acadêmica com os modos de aprender nos terreiros, baseados na escuta, na observação e na iniciação. A conversa explora os mitos iorubás como formas de interpretar a vida e apresenta as noções de orixá, egum e orí para pensar as relações entre natureza, comunidade e individualidade. O episódio aborda ainda o destino, a diversidade de gênero no candomblé, histórias de Oxaguiã e Iemanjá e as relações entre religião, política e Estado laico no Brasil.
Palavras-chave: Reginaldo Prandi; orixás; candomblé; religiões afro-brasileiras; mitologia iorubá; terreiros; orí; egum; diversidade de gênero; religião e política.
Indicações feitas ao final da conversa
Reginaldo Prandi: Orixás: deuses iorubás na África e no Novo Mundo, de Pierre Verger. O livro reúne textos e fotografias sobre os cultos aos orixás na África e nas Américas. lojapierreverger.org.br
Marcos Carvalho Lopes: Morte nos búzios, romance policial de Reginaldo Prandi. O título publicado é Morte nos búzios, sem o artigo “A” que aparece na transcrição. Grupo Companhia das Letras
Livros de Prandi apresentados ou comentados no episódio
Orixás: os deuses que habitam em nós — ponto de partida da entrevista. Grupo Companhia das Letras
Mitologia dos orixás — obra que Prandi revisita na conversa. Companhia das Letras
Brasil africano: orixás, sacerdotes, seguidores — coletânea de seus estudos sobre religiões afro-brasileiras. Pallas Editora
Histórias de terreiro que a gente não conta — relatos de acontecimentos vividos ou presenciados pelo autor em sua convivência com os terreiros.
Os mortos e os vivos: uma introdução ao espiritismo — retomado no encerramento da entrevista. Reginaldo Prandi – Página oficial
Pequena mitologia dos orixás — livro infantil mencionado por Prandi, com lançamento previsto para 17 de novembro de 2026.
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